Só um gostinho...

Mais Participativos:

1 MASR 62
2
JOHNNYLUKE
25
3
Daniel
17
4 Ana 8
5 mark_takashi 7
Por que não existem críticos de games?
  Enviado em Tue 26 Dec 2006 por Daniel (465 leituras)
Ok!

Então todos nós concordamos que videogames são uma força importante? E todos assumimos que games têm um significado, que eles refletem visões de mundo e sensibilidades de seu público, certo? E qualquer um que já tenha jogado video games modernos (ou estado em um quarto com alguém jogando) com certeza percebeu que games como “Grand Theft Auto” e “Bad Day LA” são visualmente hipnóticos, porque as imagens são geralmente lindas e os movimentos dos personagens são estranhos e hiper-reais. Todos concordam que essas noções são verdadeiras. O que me leva a propor a seguinte questão: por que não existem críticos de videogames?

Por trás da pergunta pontual levantada por Chuck Klosterman na revista “Esquire” (uma dica do crítico Leonardo Mecchi, do blog Enquadramento), existe uma questão maior (e muito pertinente): o jornalismo mostrou-se até agora incapaz de reconhecer a importância e de analisar a fundo um fenômeno cultural que há alguns anos é uma das formas de entretimento preferidas das novas gerações.

Segundo Klosterman, existem revistas e sites especializados que fazem resenhas de games, mas estas são mais próximas do serviço ao consumidor do que da crítica. “Até onde eu sei, não há um grande crítico que explique as sensações despertadas por um determinado jogo ou que analise o que certos games significam fora do contexto do produto em si. Não existe uma Pauline Kael da crítica de games. Nem um Lester Bangs”, ele afirma, referindo-se, respectivamente, aos famosos críticos americanos de cinema e música.

O colunista afirma que os games propõem um novo modelo narrativo, que ainda não mereceu a devida reflexão. “Diferentemente de um diretor ao fazer seu filme ou de um músico ao gravar seu disco, o designer de games não tem toda autonomia sobre sua criação - ele não pode ditar as emoções ou razões de seu personagem. Cada jogador inventa o futuro (…) É por aí que a crítica de videogame deve ir: na direção do significado da potencialidade. Games oferecem a oportunidade de escrever sobre as conseqüências culturais da liberdade de escolha, um conceito que tem tanto a ver com o público quanto com a forma de arte.”

Para Klosterman, a ausência de crítica nesse meio pode representar um sério problema. “Se ninguém nunca pensa nos games de maneira humana, metafórica e contextual, eles se tornarão simplesmente mercadorias - e se tornarão também entediantes. Eles serão apenas games. E, já que concordamos que os videogames são o novo rock, nós enfrentaremos um cenário deprimente: o idioma artístico mais significativo dessa geração não terá, no final das contas, significado nenhum.”

Artigo originalmente publicado por Ricardo Calil, em seu blog Olha Só
Índice :: Imprimir :: Enviar a um Amigo
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.


TOPO - 07.09.2010 -
©DVA Studio Web | ©2006 Theme by HOKAMP